Lição 3 - Adultos - CPAD 3º Trimestre 2026

Estude a lição 3 dos adultos, que aborda sobre a Graça que alcança todas as nações e o Concílio de Jerusalém, discutindo a salvação pela graça mediante a fé ou por meio da lei judaica.

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Por Moacir David11 min de leitura31/07/2026
Lição 3 - Adultos - CPAD 3º Trimestre 2026
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A Graça que alcança todas as nações

Chegamos a lição 3 da Classe de Adultos do 3º trimestre de 2026 da CPAD com um tema muito importante: a salvação é pela graça, mediante a fé ou ainda é necessário cumprir ritos religiosos do judaísmo?

Título da lição

A graça que alcança todas as nações

A Igreja Primitiva vivia um momento de dissensão sobre esta questão, que culminou no Concílio de Jerusalém, o primeiro concílio realizado pela Igreja Cristã.

Professor, nesta lição, aproveite para ensinar aos alunos sobre discernimento espiritual, embasamento nas Escrituras, unidade cristã da Igreja e como se dá o processo de salvação.

Veja o texto áureo da lição:

Texto áureo

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus.” (Efésios 2:8)

Leia a verdade prática:

Verdade prática

É pela graça que somos alcançados, perdoados e reconciliados com Deus.

Acompanhe a leitura bíblica semanal:

Leitura diária6 dias
Segunda
Atos 15:11 - A salvação é afirmada como obra exclusiva da graça do Senhor Jesus
Terça
Atos 10:44-48 - Deus não faz distinção entre pessoas
Quarta
Efésios 2:8-9 - A salvação é um dom gratuito de Deus
Quinta
Tito 2:11-12 - A graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos
Sexta
Hebreus 4:16 - O trono da graça está aberto para o crente
Sábado
2 Pedro 3:18 - Crescendo em graça e conhecimento de Jesus Cristo

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Tópico 1 - Quando a Graça preserva a unidade da Igreja

Atos capítulo 15 é o texto bíblico base dessa lição. Nesse capítulo, é relatado a discussão entre cristãos vindos do judaísmo e cristão gentios a respeito da guarda dos ritos religiosos do judaísmo, como, por exemplo, a necessidade de circuncisão para a salvação.

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A igreja estava vivendo uns dias mais turbulentos por conta dessas questões. Os judeus que tinham se convertido ao cristianismo ainda queriam que os gentios seguissem os ritos da lei mosaica.

Conforme Atos 15:1-2, estes cristãos judaizantes saíram de sua região, na Judeia, para as localidades em que haviam comunidades cristãs gentias, como Antioquia, persuadindo-os a seguirem o cerimonial judaico, como sendo “necessário para a salvação”.

Ao saber disso, o apóstolo Paulo e Barnabé, percebendo a confusão e dúvida dos irmãos gentios, viajam de Antioquia até Jerusalém, para levar essa questão em discussão com a Igreja, os apóstolos, presbíteros e anciãos da Igreja Mãe daquela época.

O Concílio de Jerusalém foi o primeiro concílio realizado pela Igreja Cristã - infográfico eScriptura

Nesse contexto, fariseus que haviam se convertido ao evangelho bradam que era necessário aos gentios guardarem os preceitos cerimoniais da lei judaica (Atos 15:5) - porém, os apóstolos e os anciãos começam a dar atenção a esse tema, iniciando o Concílio de Jerusalém, que resolveria essa questão, tirando a dúvida de todos e levando a Igreja para um consenso, preservando a unidade da fé cristã.

Um concílio

Professor, um concílio, em especial, da Igreja, é uma reunião onde os líderes eclesiásticos se reúnem para discutir temas importantes para a fé e para a igreja, como questões doutrinárias, confissões de fé e outros temas importantes. O primeiro concílio realizado pela Igreja Cristã foi em Jerusalém, por volta dos anos 48 d.C. à 50 d.C.

Baixe o infográfico de visão geral sobre o Concílio de Jerusalém

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Mostre aos seus alunos quando, onde e o por quê ocorreu o Concílio de Jerusalém.

Baixar infográficoDownload direto

Neste dia, as lideranças da Igreja ouviram os testemunhos dos servos de Deus, entre eles:

  • O apóstolo Pedro: que testemunhou como Deus salva e purifica a todos, gentios ou judeus, sem fazer acepção de pessoas (Atos 10:34-35), desde que creiam em Jesus e se arrependam dos seus pecados, a partir do que ocorreu com a conversão do centurião Cornélio e o povo reunido em sua casa;
  • O apóstolo Paulo e seu companheiro de missão, Barnabé: Paulo e Barnabé eram testemunhas oculares e práticas de como Deus operava entre os não judeus, pois, passaram por diversas localidades, como Listra, Antioquia e outras cidades gentias e testemunharam como Deus salvou pessoas, operou milagres, curas e livramentos;
  • Tiago, o Justo, o irmão do Senhor: o líder da Igreja em Jerusalém, após ouvir os testemunhos proclamados pelos irmãos, com a direção do Espírito Santo e com base fundamentada nas Escrituras, relembra que desde o Antigo Testamento, os profetas usados por Deus já diziam que Deus queria salvar a todos, incluindo os gentios.

Tiago, o Justo, liderou o Concílio de Jerusalém, enquanto Pedro, Paulo e Barnabé discursaram - infográficos eScriptura

Após os testemunhos e debates, a decisão da Igreja, com ordem do Espírito Santo, foi recomendar aos gentios que se abstivessem da imoralidade sexual (bem comum entre os povos de nações não judias da época), da idolatria e da carne sufocada com sangue.

A questão do consumo de carne com sangue (provindas de sacríficos pagãos), por exemplo, evitaria escândalo aos judeus - a liberdade dos gentios não deveria servir de tropeço para os cristãos vindos do judaísmo, não sendo necessário mais coisas.

Com a direção do Espírito Santo, a Igreja reconheceu e recomendou algo que a Reforma Protestante resgataria muitos anos depois: a salvação é unicamente pela graça, mediante a fé em Jesus:

Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: ²⁹ Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Bem vos vá.

Atos 15:28-29 | Versão ARC, Bíblia Sagrada

Antes mesmo desses versículos, o próprio apóstolo Pedro enfatizou a salvação pela Graça, mediante a fé em Jesus: “Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também.” (Atos 11:15).

Com forte ênfase nas Escrituras, discernimento do Espírito Santo e sabedoria, o Concílio de Jerusalém chegou a uma conclusão que é basilar para a fé cristã, também preservando a unidade da Igreja, visto que havia discussões sobre essas questões naquela época (o perfil da igreja era composto de judeus convertidos e povos de outras nações).

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Baixe o infográfico sobre os participantes do Concílio de Jerusalém

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Mostre aos seus alunos o que cada servo de Deus trouxe de contribuição para o Concílio de Jerusalém, culminando em um ponto central, que une a fé cristã genuína: a salvação pela Graça de Deus, mediante a fé em Cristo Jesus.

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A lei judaica e a fé cristã

Professor, é preciso entender um assunto importante: quando a Igreja fala que não é mais preciso seguir a lei judaica para a salvação, isto não significa que os preceitos morais foram abolidos, pois eles são eternos.

Conforme a teologia cristã protestante histórica e também a Confissão de Fé das Assembleias de Deus, no capítulo XVII, a lei de Deus pode ser separada em três níveis:

  • Leis morais: os mandamentos de Deus, que são eternos e não mudam, continuando válidos para hoje, como os que estão nos dez mandamentos: “Amarás o Senhor, teu Deus, sobre todas as coisas”, “não matarás”, “não adulterarás”, etc (Êxodo 20). Estes mandamentos são inclusive reforçados no Novo Testamento;
  • Leis cerimoniais: são os ritos litúrgicos do culto judaico no Antigo Testamento e outras práticas judaicas, como a guarda do sábado (um dia de descanso para os homens e um dia separado para o serviço e adoração a Deus - na tradição cristã, o domingo passou a ser o principal dia de reunião da Igreja em memória da ressurreição de Cristo), sacríficos de cordeiros e festas, como tabernáculos e páscoa - tudo isto apontava em símbolos para Cristo e foi cumprido por Jesus na cruz do calvário (Romanos 10:4);
  • Lei civil: os preceitos para Israel, enquanto nação / Estado civil, para reger a sociedade com leis justas, como todas as nações precisam para sua organização social (assim como o Brasil tem a Constituição Federal, o Código Civil e Penal, por exemplo) - exemplo destas leis eram as de guerra, de punição de morte para crimes - a Igreja não é um Estado, por isso, também não precisa seguir estas leis.

A Lei, por si só, não salva ninguém. É como um termômetro que indica apenas se uma pessoa está com febre ou não, mas não traz a cura para a doença; assim, a Lei, que embora boa, santa e justa (Romanos 7:12-14), só revela o quão pecadores somos e o quão Deus é justo, mas não traz alguma forma de se livrar da condenação e prisão do pecado.

Neste sentido, a Graça de Deus, em Cristo Jesus, se manifestou salvadora a todos os homens (Tito 2:11-14), dando capacidade ao ser humano de servir a Deus e renunciar o mundo, o pecado e suas cobiças, para viver em santidade e comunhão com o SENHOR (Romanos 6).

Sola Gratia

Professor, você pode aproveitar esse contexto para lembrar que um dos cinco "somente" da Reforma Protestante é justamente o Sola Gratia, que do latim significa "Somente a Graça". A Reforma Protestante resgatou a doutrina bíblica genuína de que a salvação não é alcançada por méritos ou esforços humanos, mas exclusivamente pela Graça de Deus, mediante a fé na obra salvífica de Jesus Cristo, capacitando o crente a viver uma vida que agrada a Deus.

Tópico 2 - Um presente de salvação para todos

Como estamos falando do Concílio de Jerusalém e o reconhecimento da doutrina da salvação pela graça somente, através da fé em Jesus Cristo (Atos 15), precisamos entender o que é a Graça.

Do grego Cháris, a graça significa favor imerecido, bondade, dom e/ou presente dado sem merecimento. Isto é aplicado pelo apóstolo Paulo em Efésios 2:8-9, quando fala sobre a salvação:

⁸ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. ⁹ Não vem das obras, para que ninguém se glorie.

Efésios 2:8-9 | Versão ARC, Bíblia Sagrada

Paulo, inspirado por Deus, ensina para a Igreja em Éfeso que a salvação é um presente dado por Deus para todos aqueles que creem em Jesus e o recebem como Salvador.

É um ato de misericórdia, graça e favor soberano de Deus, em querer conceder ao homem salvação (1 Timóteo 2:4), oferecendo-a por meio de sua graça, através da fé em Jesus Cristo e sua obra redentora na cruz do calvário.

Neste ponto, é importante frisar a linha de soteriologia (pensamento teológico em relação a salvação) adotado pelas Assembleias de Deus em sua Declaração de Fé (Capítulo X), denominação que estuda estas lições:

  • Salvação disponível para todas as pessoas, mas só aplicada a quem crê em Jesus (Capítulo X, Artigo 1): “[…] O Evangelho contempla a todos e a ninguém exclui: "Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens" (Tt 2.11). Por conseguinte, a salvação está disponível a todos os que creem.”;
  • Depravação total da raça humana e necessidade de arrependimento (Capítulo X, Artigo 5, sobre a Graça de Deus): “Cremos que todos os homens e mulheres foram atingidos pelo pecado a tal ponto que, embora tenham sido feitos à imagem de Deus,44 não podem, por si mesmos, chegar a Deus. Não há nada que o homem natural possua ou pratique que lhe faça merecida a graça de Deus. […]”;
  • A possibilidade de perda da salvação (Capítulo X, Artigo 6): Rejeitamos a afirmação segundo a qual "uma vez salvo, salvo para sempre", pois entendemos à luz das Sagradas Escrituras que, depois de experimentar o milagre do novo nascimento, o crente tem a responsabilidade de :zelar pela manutenção da salvação a ele oferecida gratuitamente: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar .do Deus vivo” (Hb 3.12). […]”.

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De forma geral, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus apresenta uma soteriologia com características do arminianismo clássico, com o entendimento de que a salvação está disponível para todos os homens (mas só é salvo quem crê em Jesus e se arrepende dos seus pecados).

Além disso, a salvação se dá unicamente pela ação soberana da Graça de Deus, que inicia o processo, convidando o homem para este presente valioso e o capacitando a aceitar ou rejeitar este convite (graça preveniente), ou seja, a graça pode ser resistida.

Também, é importante frisar que o homem, por si mesmo, não pode conhecer a Deus ou ser salvo, pois está separado de Deus por conta dos pecados (Romanos 3:23) e morto espiritualmente em suas ofensas e crimes contra Deus (Efésios 2:1-6).

É necessário a ajuda da Graça de Deus e ação do Espírito Santo para a salvação, que habilita o homem a aceitar ou não este convite. Deus inicia o processo, o homem, com assistência do Espírito Santo e da Graça, responde.

Por fim, pela confissão de fé assembleiana e linha de pensamento adotada na soteriologia, é possível perder a salvação, caso o cristão “faça mau uso do seu livre arbítrio e apostate da fé”, conforme o credo das Assembleias de Deus.

Diante da importância da Graça de Deus, estimule seus alunos a glorificarem a Deus e darem graças pelo favor imerecido que Ele nos concede, professor.

Se não fosse a graça de Deus, não estaríamos aqui, pois ela quem capacita o crente a ser santo, rejeitar o pecado, sentir prazer em obedecer a Deus e a realizar boas obras, como fruto de um coração salvo por Jesus.

Tópico 3 - Crescendo na Graça

A Bíblia na segunda carta do apóstolo Pedro, capítulo 3 e versículo 18 nos admoesta a “crescer na graça e no conhecimento do nosso Senhor Jesus”.

Este crescimento quer dizer amadurecimento espiritual, comunhão com Deus e relacionamento com Ele. E isto só é possível, justamente, através da Graça de Deus.

A Bíblia nos encoraja a nos aproximarmos de Deus, do Trono da Graça:

16 Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno.

Hebreus 4:16 | Versão ARC, Bíblia Sagrada

Ou seja, devemos buscar ao SENHOR e a sua ajuda em tempo oportuno, ou seja, sempre que precisarmos - pois Deus está presente em nossas angústias como socorro presente (Salmo 46:1).

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Mas, com a obra de Cristo na cruz, temos livre acesso a Deus, sem necessidade de intermediação de sacerdotes humanos. O véu que separava o homem de Deus foi rasgado. Todos podem ir, através de Jesus e sua graça, até Deus, diante de Seu trono, pedir misericórdia e ajuda.

É lá que recebemos perdão dos nossos pecados, conforto, alívio, ajuda; conhecemos mais a Deus e quem Ele é. Que saibamos aproveitar esta grande oportunidade aberta pela Graça de Deus, não somente em tempos de necessidade, mas diariamente, em uma vida de comunhão e busca por Deus.

Cresçamos na graça e no conhecimento do Senhor Jesus! (2 Pedro 3:18).

Conclusão

Nesta lição, vimos que a Igreja passou por momentos difíceis de discussões internas entre cristãos vindos do judaísmo e gentios convertidos ao Evangelho.

Uma parte achava que era necessário a obediência à Lei de Moisés e seus ritos cerimoniais para ser salvos, voltando ao judaísmo (os judeus convertidos a Jesus); os apóstolos e a Igreja reconheceram que estas questões não eram mais necessárias.

Foi no Concílio de Jerusalém que a doutrina da salvação pela graça mediante a fé em Jesus ficou mais clara, uma base para o verdadeiro cristianismo bíblico.

Também é possível aprendermos que esta graça, embora nos livre de encargos rituais judaicos, não nos isenta de obedecer aos preceitos morais de Deus, que são eternos; antes, capacita o crente a viver em uma vida de santidade e obediência a Deus.

O mesmo ensinamento dos apóstolos e decisão da igreja neste primeiro concílio cristão clama a todos nós hoje: salvos pela graça, para uma vida de santidade e obediência a Deus.

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Autor do artigo
Moacir David

Moacir David

Servo de Jesus Cristo. Desenvolvedor formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IFPB – Campus Cajazeiras. Atua como secretário da Escola Bíblica Dominical e professor auxiliar da classe de jovens no templo sede da Assembleia de Deus em Marizópolis–PB.