Lição 5 - Adultos - CPAD 3º Trimestre 2026
A lição 5 da classe de adultos do 3º trimestre de 2026 da CPAD mostra a chegada de Paulo em Atenas e seu discurso no Areópago, anunciando o Deus desconhecido aos gregos. Estude com o eScriptura!
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Cristo entre os filósofos: O Deus desconhecido se revela
Chegamos a lição 5 da Classe de Adultos do 3º trimestre de 2026 da CPAD. Nesta aula, estudaremos como Deus deseja se revelar para a humanidade e como o Evangelho pode ser pregado com ousadia e harmonia com a cultura, sem perder a sua essência.
O apóstolo Paulo, em sua segunda viagem missionária, como vimos na lição passada, chega em regiões do continente europeu anunciando o evangelho de Cristo. Agora, é a vez de Atenas, um grande centro cultural, erudito, político e econômico da Grécia Antiga, berço da filosofia ocidental e palco de embate entre epicureus, estoicos e o cristianismo.
Cristo entre os filósofos: O Deus desconhecido se revela
Leia o texto áureo da lição:
Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, em todo lugar, que se arrependam. (Atos 17:30)
A verdade prática diz:
A obra evangelística floresce quando o coração, sensível ao Espírito, discerne os tempos e proclama com ousadia a graça salvadora de Cristo.
Professor, aproveite a leitura semanal para estimular os alunos a lerem a Palavra:
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Eis os hinos da Harpa Cristã sugeridos para o louvor congregacional:
48, 124 e 505
Tópico 1 - Contexto histórico, religioso e cultural de Atenas
O apóstolo Paulo está em sua segunda viagem missionária. O evangelho avança em direção ao velho continente europeu. Passando por outras cidades, como Tessalônica (onde foi expulso por judeus), e, depois, Bereia (onde foi bem recebido, com os judeus examinando às Escrituras e crendo em Cristo), Paulo parte para Atenas.
Atenas era umas das principais cidades da Grécia Antiga. Tinha por volta de 250 a 300 mil habitantes e foi um importante centro cultural, filosófico, político e econômico na época.
Atenas era uma cidade que produzia bastante conhecimento, portanto, era bem erudita; de lá, saíram famosos filósofos como Sócrates e Platão. Além disso, foi em Atenas que o conceito do sistema político democrático surgiu, embora diferente da atualidade, mas um avanço para a época.
É nesse contexto que Paulo chega naquela grande cidade: embora erudita e rica em conhecimento, Atenas não conhecia o verdadeiro Deus. Suas filosofias e produção de conhecimento não levaram o povo a conhecer o SENHOR. O homem por si mesmo e sua sabedoria não conhece a Deus (1 Coríntios 1:21).
Atenas era uma cidade bastante religiosa, com vários altares dedicados aos deuses do panteão grego, espalhados por toda a cidade. Por isso, em Atos 17:6, a Bíblia relata que Paulo se entristece vendo tamanha idolatria e falta de conhecimento de Deus.
Por ser bastante religiosa e buscar conhecimento, os atenienses temiam não adorar e servir ao Deus verdadeiro ou alguma divindade que pudessem esquecer - este relato é contato em uma lenda, chamada de “A lenda de Epimênides” descrita no infográfico acima.
No relato histórico, uma praga atingiu a cidade por volta de a.C. e muitas mortes estavam ocorrendo. Nenhum dos deuses locais conseguiram cessar a praga. Epimênides é chamado como uma espécie de mediador entre os deuses e a cidade.
Em um teste, ele manda soltar ovelhas, para que, onde elas parassem e deitassem, indicassem qual deus grego estava irado e devia receber um sacríficio.
O relato conta que ao soltar as ovelhas, elas não pararam em nenhum altar de algum deus do panteão grego, apenas em locais vazios. Neste momento, Epimênides entende que havia alguma divindade que eles não conheciam e sacrifica as ovelhas para este Deus, erguendo o altar ao DEUS DESCONHECIDO que Paulo aproveitaria como contexto para anunciar o verdadeiro Deus séculos depois (Atos 17).
A cidade de Atenas nos mostra que, mesmo que sejamos intelectualmente fartos de conhecimento (como eles eram, produtores de conhecimento e berço da filosofia ocidental), ricos e poderosos, podemos estar perdidos e sermos pobres se não conhecermos o verdadeiro Deus.
Diante dessa realidade ateniense, Paulo começa a proclamar o evangelho nas sinagogas (Atos 17:17), como era o seu costume. Mas, movido de compaixação pelo povo de Atenas, ele também pregava nas Ágoras, local em que filósofos curiosos o questionavam, ouviam a mensagem do Evangelho e também zombavam (Atos 17:17-18).
As ágoras eram praças públicas em que pessoas de todas as classes sociais se reuniam para contar suas ideias e filosofias e ouvir outras pessoas, conforme o costume ateniense (Atos 17:21). Já o Areópago era uma espécie de tribunal ou local reservado para pessoas mais cultas e de alto prestígio na sociedade ateniense, também conhecido como "Monte de Marte", porque ficava localizado em uma colina.
Tópico 2 - Os filósofos epicureus e estoicos (Atos 17:18-21)
Ao ouvir a pregação do evangelho proclamada pelo apóstolo Paulo nas ágoras, filósofos ligados ao epicurismo e estoicismo o questionam ainda mais sobre o que ele estava anunciando.
Movidos por curiosidade e também certo deboche, os filósofos convidam Paulo para anunciar “suas ideias” e o “Deus estrangeiro” que anunciava no Areópago, uma espécie de tribunal e local para os mais cultos e de alto prestígio anunciarem suas ideias.
A Bíblia relata que Paulo começa a expor as Escrituras Sagradas a partir do contexto cultural e do dia-a-dia daqueles homens - o evangelho foi anunciado com sabedoria, sem ataques desnecessários a cultura local.
Paulo aproveita a religiosidade ateniense e sua constante busca pela verdade para, a partir de sua tristeza ao ver a idolatria da cidade, anunciar que o Deus desconhecido que eles erguiam altares era o Deus que ele estava anunciando (Atos 17:23).
Junto desse gancho cultural, o apóstolo Paulo aproveita para anunciar o arrependimento de pecados, tendo em vista que Deus marcou um Dia para julgar a humanidade através de Jesus Cristo (Atos 17:30-31) e sobre a ressureição de Cristo e dos salvos.
Para os gregos, principalmente os epicureus, essa ideia era inconcebível. O epicurismo pregava a busca pelo bem a partir do prazer e da satisfação pessoal acima de tudo, tendo em vista que, por serem materialistas, não havia vida após a morte - então, era necessário aproveitar tudo aqui e agora, em contraste com a mensagem do Evangelho que anuncia a responsabilidade individual e moral de todos perante de Deus e a vida eterna.
Já os estoicos, outro grupo filosófico, pregavam, em certa medida, conceitos decentes, como o autocontrole e repressão dos impulsos carnais, cuidado com o próximo e com a natureza, como meio de se tornar bom e alcançar virtude. Em oposição a revelação bíblica, eles não criam em um Deus pessoal, mas em uma força que atua em tudo e em todos, de maneira impessoal, distante do universo e alheia a humanidade a todo o cosmos.
Isso é diferente do que a Bíblia prega: O Deus da Bíblia, eterno, invisível e imortal, ama toda a Sua criação e se importa com todos os seres humanos (Isaías 57:15). Os estoicos caiam na armadilha da arrogância por terem conhecimento e por buscarem atitudes moralmente corretas, em comparação com outras pessoas (o que a Bíblia condena: o orgulho).
Após a exposição do Evangelho por Paulo no Areópago, alguns dos filósofos zombaram dele e da ideia da ressureição corporal e vida eterna (ideia difícil para gregos entenderem); outros, porém, quiseram ouvi-lo em outra ocasião. Porém, alguns deles, se converteram a Jesus, como Dionísio e uma mulher chamada Dâmaris (Atos 17:34).
Este relato nos mostra que, por mais que busquemos conhecimento aqui na terra, saibamos toda a ciência humana e leiamos vários livros e correntes filosóficas, ainda assim, podemos estar perdidos e não encontrar o verdadeiro sentido da vida.
Dionísio e Dâmaris encontraram em Jesus e no evangelho a verdade que tanto buscavam pela filosofia humana; o sentido da vida que, bem provável, faltava em seus corações e os deixavam vazios.
Proclamemos o evangelho de Cristo em nosso cotidiano: trabalho, reuniões familiares, grupos de estudos em escolas e universidades, a tempo e fora de tempo - alguma alma está sedenta da salvação, aguardando apenas ouvir a verdade essencial: Cristo perdoa, restaura e salva o homem.
Tópico 3 - O discurso de Paulo no Areópago
A fala de Paulo diante dos gregos atenienses no Areópago foi carregada de conhecimento cultural, histórico e filosófico daquele povo. Paulo era um homem erudito, culto em conhecimento greco-romano e também das Escrituras Sagradas.
Partindo do conhecimento que tinha do âmbito religioso e cultural dos atenienses, Paulo anuncia a Cristo, o Salvador, o DEUS DESCONHECIDO que Atenas erguia altares sem conhecer.
Também revela aos gregos que o Deus Eterno, criador do universo, não precisa de ajuda humana e nem de templos físicos para habitar (Atos 17:24-25), antes está presente em todos os lugares, pois é onipresente.
Como Criador de todas as coisas, Deus é o sustentador do universo (Atos 17:28), rejeitando qualquer ideia de um Deus impessoal e alheio as necessidades humanas e distante de sua criação.
Por fim, clama com autoridade que todos se arrependam dos seus pecados, através de Cristo Jesus, pois Deus irá julgar, com justiça, no Grande Dia, todos os homens, não tendo ninguém por ignorante, pois a humanidade tem acesso a revelação de Deus, em Cristo Jesus (Atos 17:30-31).
Paulo nos dá o exemplo de como pregar o evangelho com ousadia e sabedoria, mesmo em ambientes hostis ao cristianismo e carregados de elementos contrários aos padrões divinos. Que tenhamos a mesma sabedoria do apóstolo Paulo!
Conclusão
A sociedade de Atenas naquela época é muito semelhante a modernidade: muitos são sábios aos seus próprios olhos, eruditos, conhecedores de tratados filosóficos, científicos e das notícias mais recentes do mundo.
Isto em si não é ruim, mas, por si só, não pode ajudar o homem a encontrar a verdade de Deus, em Cristo Jesus, se não houver um coração quebrantado disposto a receber a revelação do evangelho de Jesus.
Muitos ainda não conheceram e nem provaram da salvação em Cristo Jesus e aguardam apenas que os novos Paulos da era hodierna se levantem com ousadia para anunciar o Cristo ressuscitado, que salva o homem de seus pecados e dá nova vida - não importe o quão erudito esta pessoa seja.
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Moacir David
Servo de Jesus Cristo. Desenvolvedor formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IFPB – Campus Cajazeiras. Atua como secretário da Escola Bíblica Dominical e professor auxiliar da classe de jovens no templo sede da Assembleia de Deus em Marizópolis–PB.






